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[ Notícia 7680 ]
10/12/2020
CUT lança campanha nacional em defesa das empresas estatais:

Federação Única dos Petroleiros (FUP) é uma das entidades filiadas à CUT que participam de campanha de mÃdia nacional em defesa das empresas estatais e do serviço público lançada nesta quinta-feira (10/12)
Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2020 – "Patriota de verdade defende o que é nosso, defende as estatais. Não deixem vender o Brasil." Com essa chamada, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e suas entidades filiadas, entre elas a Federação Única dos Petroleiros (FUP), lançam nesta quinta-feira (10/12) uma campanha de mÃdia nacional em defesa das empresas estatais e do serviço público. O primeiro vÃdeo publicitário será veiculado esta semana em TVs e rádios.
O lançamento da campanha coincide com a ofensiva da gestão da Petrobrás, que anunciou na semana passada a conclusão da fase de negociação para a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, com o Fundo Mubadala, bem como a venda de outras empresas e ativos da companhia.
A campanha de luta contra as privatizações tem ainda duas publicações – uma em português e outra em espanhol –, que serão lançadas nesta sexta (11/12) e fazem parte do esforço para mostrar à sociedade e para o mundo a importância das empresas estatais e também os serviços públicos prestados para a população em áreas essenciais como saúde, educação e previdência social.
De acordo com o secretário de Comunicação da CUT Nacional, Roni Barbosa, a campanha foi pensada e rateada por todos os sindicatos, federações e confederações filiadas à central, com o objetivo de defender as empresas e bancos estatais, patrimônio do Brasil, dos brasileiros e das brasileiras.
"Com esta campanha queremos sensibilizar a população com uma linguagem direta e simples, e também com humor, para que todos entendam o que está acontecendo com o patrimônio público", diz Barbosa, lembrando que a maioria dos brasileiros é contra a privatização das estatais, segundo pesquisas.
Apesar disso, além da Petrobras, o programa de privatização do governo inclui bancos públicos, os Correios, a Eletrobras e, recentemente, falou-se até em privatizar Unidades Básicas de Saúde (UBS) – o processo recuou por causa da reação da sociedade.
Barbosa explica que os comerciais exaltam as riquezas do Brasil, as cores da bandeira nacional e afirmam que "patriota de verdade defende o que é nosso, defende as estatais", mostrando cenas de mata, céu, mar e pessoas, praias e bancos de praça, simbolizando todas as riquezas nacionais e patrimônio público que podem ser vendidas a grupos internacionais pelo governo de Jair Bolsonaro.
VENDA DAS REFINARIAS VAI CRIAR MONOPÓLIOS REGIONAIS
A Petrobrás anunciou na semana passada que concluiu a fase de negociação para a venda da RLAM e que recebeu ofertas pela Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas, pela Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará, e pela Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná. A companhia também anunciou que receberia nesta quinta as ofertas para as refinarias Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul.
A estatal espera dar continuidade ao que chama de processo de desinvestimentos em 2021 ignorando o fato de que as refinarias da companhia foram concebidas não pra concorrerem entre si, mas para serem complementares, visando garantir o abastecimento do paÃs, avaliação já amplamente apontada pela FUP e reiterada em artigo da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet).
Estudos realizados este ano pelo Departamento de Engenharia Industrial da PontifÃcia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) sobre a venda das refinarias apontam vários riscos à s economias regionais, que passam, por exemplo, pelas possibilidades da criação de monopólios privados, com reflexos nos preços ao consumidor, ao risco de desabastecimento, entre outros. Os estudos apontam ainda a necessidade de definições muito claras para a transição, inclusive ressaltando a importância e premência para questões regulatórias.
"A RLAM, Reman, Lubnor e SIX não têm concorrentes em suas regiões, vendê-las significa transferir para o setor privado um monopólio estatal constituÃdo na prática, uma vez extinto na lei desde 1997. Para aumentar a concorrência, o correto é a iniciativa privada construir suas próprias refinarias", diz trecho de artigo publicado no site da Aepet.
Além de ir na contramão de outras petroleiras do mundo, que mantêm suas operações integradas, o fatiamento da Petrobrás não é bom para a companhia, que abre mão de seus investimentos e fluxos positivos de caixa, nem para o Brasil, especialmente nas regiões afetadas, que ficarão, na melhor das hipóteses, à mercê das prioridades da iniciativa privada e de seus preços, sem nenhuma concorrência, dizem os engenheiros.
"Alegando um prejuÃzo, que é contábil, a gestão da Petrobrás vai entregando ativos lucrativos e importantes para o resultado da empresa. Com a venda de tantos ativos que dão lucro, o que será da Petrobrás? Por isso afirmamos que a empresa está sendo privatizada aos pedaços. Nesse ritmo, não vai sobrar nada da Petrobrás, que vai ser tornar uma empresa pequena e mera exportadora de petróleo cru, sujeita a perdas imensas com o sobe-e-desce das cotações internacionais de petróleo", reforça Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.
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